a inevitável transitoriedade

17 outubro 2017


Ontem, para uma disciplina, li um texto do Freud sobre a transitoriedade, fato estranhamente engraçado, pois, durante o feriado prolongado, pude ficar quieta e pensar em muitas coisas. E esse sentimento é tão estranho que não sei lidar, talvez, porque, segundo a visão do Freud, isso está ligado ao luto de perder as coisas e esse sentimento é um dos mais complexos.

Lembro-me de que comecei esse blog em 2013 porque sempre gostei de registrar coisas que, embora simples, pra mim são importantes. Nas redes sociais, até postamos muito, mas tudo se perde tão liquidamente. É só mais um post, só mais uma foto, só mais uma frase... é tudo absurdamente líquido, nos termos do nosso querido filósofo Zygmunt Bauman usaria.

Há vida lá fora e nós não estamos vivendo porque estamos presos às telas dos nossos smartphones, tablets e sei lá o quê mais. A beleza está ao nosso redor e nós sequer conseguimos observar a transitoriedade dela porque estamos completamente presos, essa prisão tecnológica é o contrato da modernidade. Tudo isso me assusta. E me assusta ainda mais saber que as coisas estão passando e eu não estou vendo porque meus olhos estão fixos numa tela. 

Quantos livros deixei de ler, quantos filmes deixei de assistir, com quantas pessoas deixei de conversar por causa de um aparelho eletrônico? Seria impossível contar, mas ainda está em tempo de mudar tudo isso. Todos esses dias de hoje serão história e não quero que minhas memórias sejam apenas lembranças vazias de uma tela. 

Eu não quero mais esse contrato da modernidade como a parte mais importante da minha vida. 

uma hamburgueria bonitinha


Essas fotos são numa hamburgueria aqui de Brasília, a Páprica Burguer, que fica na 205 Norte, dentro de um posto de gasolina. Eu, meu primo e o Nathan fomos lá num dia da semana, num horário não movimentado e tiramos algumas fotos. Já faz um tempo, mas, para não passar em branco, vou deixar registrado aqui essas fotos que, apesar de serem poucas, tanto gostei. 


Boas memórias desse dia <3

os primeiros passos para uma slow life

17 setembro 2017


oi, tudo bem? deixa eu contar um negócio aqui pra você.

toda essa ideia de slow life começou quando, no final do semestre passado, eu tive uma baita crise de ansiedade e só conseguia chorar porque não ia conseguir terminar o trabalho final de uma disciplina importantíssima. tive de fazer uma escolha que, no momento, foi muito difícil: desistir da disciplina, mesmo tendo sido uma excelente aluna durante todo o semestre.

e assim as coisas se sucederam, escrevi, chorando, um e-mail para a professora dizendo que ia desistir da disciplina. esse foi, então, o ponto chave pra desencadear uma coisa que eu já tava pensando há bastante tempo: eu precisava fazer as coisas mais devagar, no tempo certo, pra conseguir fazer tudo bem feito. foi aí que eu, achegada ao minimalismo, fui pesquisar uma pouco mais sobre slow life.

mas o que é isso, Talita?

não existe um conceito exato sobre o que é slow life, é possível, no entanto, definirmos através da tradução exata, que é "vida lenta" e, também, como esse conceito conversa com o conceito de slow food - que surgiu em 1986 - e com o minimalismo.

a slow life propõe, portanto, que a gente viva uma vida mais leve, seja na alimentação, seja no consumo, seja na correria do dia a dia. slow life é fazer menos coisas e fazer o que se faz com excelência, por poder se dedicar de verdade pra isso. ou seja, é levar uma vida realmente mais minimalista, só que prefiro usar slow life porque, quando pensamos em minimalismo, já pensamos logo na estética minimalista, que é diferente do estilo de vida minimalista, por isso prefiro muito mais usar o termo slow life.


por onde começar?

o mundo hoje vive numa correria sem fim e nós, tão jovens, já sofremos com tantos problemas relacionados à nossa saúde. a maioria dos meus amigos já sofreu com crises de ansiedade, vivem estressados a preço de uma imposição da sociedade de que temos de ter tudo até uma certa idade. e a verdade é que ninguém se pergunta se a gente tá feliz, porque nos fizeram acreditar que felicidade é ter todas as coisas do mundo, mas eu tenho aprendido, a cada dia, que não, felicidade é se amar e ser amado, é viver em paz consigo e saber que todas as coisas chegam no momento certo.

1. Priorize o que é importante a longo prazo

o que é mais melhor: pegar 7 matérias por semestre e fazê-las de qualquer jeito ou cursar 4 e cursá-las todas bem feitas? é algo que sempre priorizei porque, se quero ter uma formação e passar isso pros meus futuros alunos, não adianta eu fazer tudo de qualquer jeito, porque lá na frente eu sei que vou me arrepender de não ter aprofundado em alguns assuntos, ou seja, o importante, no meu caso, não é me formar logo, mas aprender as coisas bem aprofundadas! recentemente, vi um vídeo do João Bertoni que ele tava conversando com a mãe dele e ele falou que, por mais que tivesse difícil naquele momento, a longo prazo, o importante era continuar lá em Portugal, mesmo morrendo de saudade de todas as pessoas que ele conhece.

2. Faça uma coisa de cada vez e no seu tempo

o exemplo anterior cabe perfeitamente aqui! mas tenho outro: eu sempre quis aprender falar outros idiomas, queria fazer inglês, francês e espanhol ao mesmo tempo... eu não preciso nem dizer que isso não aconteceu, né? mesmo tendo acesso a isso bem mais barato na universidade - e até de graça! -, eu não fiz porque não adianta querer abraçar o mundo com os braços, o mundo é grande demais e não vai dar pra abraçá-lo duma vez! mas a boa notícia é que você pode sim abraçar uma coisa de cada vez e fazer bem feito, que é muito melhor do que fazer por fazer.

3. Livre-se do que não é necessário

Será que é preciso mesmo a gente assinar Netflix, TV a cabo, 5 jornais ou revistas, comprar todas as coisas que estão na moda...? Com toda a certeza do universo: NÃO! De coisinha em coisinha que a gente compra e/ou assina, a gente acaba criando um mundo de contas desnecessárias e acabamos não investindo no que realmente importa. Lembra do ponto 1? Priorize o que é importante a longo prazo! Netflix é legal? É sim! Mas adianta assinar pra dar a senha pros outros e não assistir nenhuma vez no mês? Claro que não! Foi exatamente por isso que eu não pago mais Netflix, porque pra mim não é necessário. Mas isso é só um exemplo, tá? O não-necessário da sua vida pode ser uma coisa completamente diferente.

4. Menos conversas virtuais, mais conversas cara a cara

Um amigo me deixou num vácuo uma vez e depois apareceu falando que, quando tinha gente perto dele, ele não conversava pelo celular. UAU. Talvez um exemplo fantástico de quando comecei a aderir essa "filosofia" de não conversar pelo celular quando tem alguém perto pra conversar é que comecei a falar com um menino do meu estágio no metrô, quando os outros coleguinhas se fecharam em seus celulares. O resultado? A gente acabou virando amigo mesmo! Quantas oportunidade de conhecer pessoas e de se dedicar a quem está perto nós perdemos por estarmos absurdamente focado apenas nas conversas virtuais.

5. Se cobre menos, se compare menos.

Todo mundo erra, ninguém é perfeito. Aceitar a nossas imperfeições é um passo importantíssimo para que a gente pare de se cobrar o tempo todo. Cada ser humano é um universo e todos nós estamos num processo constante de autoconstrução e autoconhecimento. Entendendo isso, aceitamos que cada pessoa tem o seu tempo para produzir algo, que a gente não precisa andar num padrão, que o importante é entender cada momento como parte de um todo que está nos levando pelo caminho rumo aonde queremos chegar. 

Eu espero de verdade que você guarde essas palavras no seu coração e coloque em prática. Esses são só os primeiros passos pra que eu e você venhamos aprender que a vida é muito mais do que a correria do cotidiano.


Beijinhos,
T.