a mudança das estações

You broke the winter that my heart was in
(Andrea Marie)

Nós estamos muito angustiados, feridos e decepcionados uns com os outros. Na nossa sociedade pós-moderna, com relações superficiais e desprendidas, é inevitável que não saiamos todos, no fim, um pouco assim. Eu entendo bem disso, eu senti na minha pele. As melhores pessoas que eu conheço também já sofreram muito.

Já me decepcionei demais, por vezes, por colocar expectativas nos outros, noutras vezes, porque as pessoas não foram verdadeiras comigo, problema este que nada tinha a ver comigo. O mínimo que se espera de uma amizade é que as pessoas sejam verdadeiras, mas, no nosso contexto, isso já parece exigir demais. 

Quem bate esquece, quem apanha lembra. Minha mãe disse isso inúmeras vezes e estas palavras parecem encaixar perfeitamente nesse contexto. A "melhor amiga" que não mediu esforços para me excluir sem explicações quando apareceram outras pessoas mais populares e com maior poder aquisitivo, o pai que rejeitou e expulsou o filho por conta da sexualidade, a tia que chamou a sobrinha de gorda e disse que esta jamais iria namorar por conta da gordura, o namorado abusivo, os mentirosos que espalharam boatos pela escola, traição, rejeição... são tantas coisas que eu poderia escrever aqui que seria enfadonho. Se não esqueceremos disso, que nossas memórias sejam, então, convertidas em alegria, porque elas nos deixaram mais fortes.

Jesus disse que devemos perdoar uns aos outros e amar os que nos odeiam. No campo das ideias, parece fácil, mas sei muito bem que na prática é um caminho árduo. É extremamente difícil perdoar os nossos falsos acusadores, os que nos humilharam, os que nos traíram... mas é necessário, é um exercício de fé diário que contraria por demais as filosofias e dogmas da nossa sociedade. Jesus nos perdoou e perdoou também os que o crucificaram, mesmo em meio a tanta dor. Difícil é, mas não é impossível. 

Jesus quer nos tirar de nossos abismos, de nosso jugo de culpa. É Ele quem, continuamente, transforma o nosso inverno na estação mais florida e alegre, nosso deserto em mar. 


Foto por Tina Sosna



He is alive!



Ele está vivo! Para sempre vivo! Feliz páscoa!







quando eu ouvi "purpose"



foi ontem, meio-dia, rumo ao terceiro ônibus que eu pegaria desde as 6h da manhã.

5 segundos, 10 segundos... um piano bem bonito. 

respirei fundo. 

isso é Justin Bieber? sim, é o Bieber.

eu já sabia que ele era muitíssimo talentoso, não me surpreende, mas algo nessa música é diferente, é verdadeiro, é profundo, não é nada superficial. me deu vontade de chorar, de rasgar o coração e abraçar Jesus.

ainda no ônibus, no curto percurso, pensei sobre a Priscilla Alcântara, sobre toda essa discussão que ocorreu nos últimos dias - que sequer tive tempo de participar - e sobre todas as coisas que me preocupam muito mais do que uma artista cristã no Lollapalooza.

eu não sou nenhum um pouco fã do Bieber, nem da Alcântara, apesar de conhecer todas as músicas do último álbum dela. quem mais acompanho, desses da polêmica, é a Maju, amiga da Alcântara, cuja história até minha mãe ficou tocada/impressionada. 

eu não quero me posicionar a favor ou contra a Priscilla, pois há várias atitudes dela que não gosto e outras que gosto até demais. eu e ela temos divergências na visão religiosa, afinal, ela é da Bola de Neve e eu, assembleiana - não muito tradicional, mas ainda sim muito tradicional se comparada com a Bola. 

eu não me importo nenhum um pouco se artistas cristãos - ou "gospel", como costumam preferir - frequentam festivais "seculares" - e só por curiosidade, acho esse termo muito pobre. eu não acompanhei muito as discussões que tiveram sobre esse assunto, mas sei que chegaram até no trend topics do twitter. o que me incomoda, e não incomoda pouco, é que, enquanto estamos aqui nos doendo por conta das atitudes alheias, o mundo continua clamando ardentemente pela manifestação dos filhos e das filhas de D-s. 

nessa mesma semana, na Síria, ataques com armas químicas mataram bebês, crianças inocentes. inúmeros refugiados continuam morrendo tentando fugir das zonas de guerra. inúmeros cristãos continuam morrendo por pregarem o evangelho em locais proibidos. a guerra nas favelas brasileiras por conta das drogas continua matando policiais, inocentes e bandidos. e qual é a maior preocupação dos jovens brasileiros e dos sites de "fofoca gospel"? Priscilla Alcântara no Lollapalooza, curtindo as músicas que muitos dos que apontam escutam nos seus fones de ouvido, escondidos dos líderes religiosos. 

sejamos menos hipócritas! um festival de música nos escandaliza muito mais que todas as guerras no mundo, e isso só nos mostra o quão superficiais ainda somos. ainda bebemos leite porque não estamos prontos para a comida sólida.

pra mim, não importa de onde a mensagem vem, desde que seja verdadeira. eu quero que Justin continue cantando Purpose, porque, por mais que ele seja cheio de falhas, ele não é nada diferente de mim, eu, ele, nós, somos todos dependentes da graça e da misericórdia de D-s. enquanto eu ainda tenho fôlego, quero falar, cantar, gritar ao mundo sobre Jesus. não quero gastar as minhas forças, nem as minhas palavras em discussões na internet que não levam a mensagem do Amor para o mundo. eu quero ir em direção àqueles que clamam ardentemente por esperança, esse é meu propósito. 

esse é nosso propósito. this is our purpose.

toda dor é por enquanto


Teus olhos viam meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias;
prefixados, antes mesmo que um só deles existisse!
Salmos 139.16

Um mês atrás, um conhecido meu tirou a própria vida. Quando soube da notícia, fiquei em estado de choque, de um jeito que jamais me senti antes: não consegui, mal consegui dormir à noite. Ainda é difícil falar sobre isso. O pensamento ficou constante em minha mente, me deixando mais introvertida que o normal. Não sabendo lidar com os efeitos que tal situação causou em mim, tive de procurar ajuda profissional. 

No meio a toda essa tempestade, acabei descobrindo problemas meus que estiveram engavetados durante toda a minha vida e que jamais permitiram que eu seguisse minha vida tão livremente.

Durante a minha infância sofri de maneira terrível com o bullying, palavrinha chata que me dói só de escrevê-la. Quando eu estava na 2ª série, uma menina, na sala de aula, sem motivo algum, puxou de uma vez a minha calça, deixando à mostra minhas roupas íntimas. Me senti um lixo. Nos outros anos letivos, o "problema" era meu cabelo, meu nariz... e tantos outros que já nem me recordo mais. Eu sempre fui um problema, mesmo eu não tendo problema algum. 

Cresci pensando que eu era uma aberração, que eu não era digna de ter boas amizades, bons relacionamentos, de receber bondade de qualquer pessoa e tantos outros problemas que não cabem num parágrafo. Nunca me achei boa o suficiente pra qualquer coisa. Por conta disso, acabei me tornando extremamente perfeccionista: tenho de ser boa em tudo o que fizer. O lado bom disso é que eu que acabei sendo autodidata em inglês, em violão, em teclado e em canto, por exemplo. O lado ruim é que, mesmo tendo superado várias coisas, dificilmente me acho boa o suficiente seja lá para o que for e isso acaba me impedindo de fazer várias coisas, dentre elas, gravar vídeos para o meu canal.

Não tenho traumas da separação dos meus pais, mas, mesmo tendo superado muitas coisas, ainda tenho resistência às pessoas. Encontro-me, hoje, num terrível dilema que me permite amar o próximo como a mim mesma, mas que, ao mesmo tempo, não deixa o próximo entrar na minha vida tão facilmente, porque eu simplesmente não sei ser vulnerável, eu sei ser, sempre, defensiva. 

Diante de tudo isso que está acontecendo, eu tenho certeza de algumas coisas: D-s poderia ter permitido que eu superasse esses problemas de uma só vez, mas, por razões que não sei, as coisas não têm se sucedido assim. Já ouvi e vi histórias de pessoas que foram curadas do câncer, por exemplo, através de uma única oração, mas já presenciei, também, casos de pessoas que, sendo cristãs, morreram com câncer. Ser cristão, ao contrário do que muitos têm pregado, não nos torna imune ao sofrimento, à dor, às doenças. 

Sei que D-s, em toda Sua sabedoria e amor, está no comando até quando tudo está dando errado em nossas vidas, quando a promessa parece que não vai se cumprir. Ele sabe o porquê de todas as coisas, sejam elas ruins ou boas. Ele sabe porque você mora onde você mora, porque a sua aparência é assim, porque você se veste assim, o porquê do nosso sofrimento. A missão é, mesmo com toda dor e sofrimento, continuar falando sobre o amor de Jesus onde estamos.

Que saibamos nos alegrar, também, com o sofrimento, pois, no fim, ele é para a glória de D-s e ele também acaba nos tornando pessoas melhores.


voltar e recomeçar



Arranjei o meu primeiro emprego com carteira assinada em 2014, para trabalhar como telemarketing bilíngue durante o período da Copa do Mundo. O meu maior objetivo com esse emprego era comprar uma câmera semi-profissional. Não demorou muito, cerca de um mês depois do contrato eu já estava com a minha Canon em mãos. Depois de muito tempo esperando, eu tinha, finalmente, a minha tão desejada câmera semi-profissional

De 2014 pra cá, fiz muitos freelas com fotografia, de mini-wedding a ensaio de 15 anos e acabei entrando num mundo cada vez mais distante do que eu tinha planejado para mim e para a minha fotografia. Apesar de todo crescimento profissional e pessoal que a fotografia me trouxe, encontro-me hoje num dilema que me impede arduamente de seguir na profissão de fotógrafa como venho seguindo.

O problema é que eu não sou fotógrafa, eu sou artista e por estar sendo apenas fotógrafa ao longo desses últimos anos, dei uma olhada nos meus últimos trabalhos e vi que a Talita lá do início se perdeu no caminho. Eu preciso voltar do início e refazer os meus primeiros passos rumo à outra direção, rumo ao que eu sempre quis fazer. 

Diante dessa situação o que quero agora é me declarar como artista e, finalmente, fazer o que eu gosto e não apenas a fotografia que vende, que já não me faz mais feliz. A parte financeira, sem dúvidas, foi essencial, mas estou cansada de ter que me moldar para vender algo que é parte de mim e que tem quase se tornado algo sem significado. Eu não quero mais fazer uma fotografia por fazer, não foi esse meu objetivo no início, eu quero fazer o que eu acredito, mesmo que ninguém acredite, porque a gente tem que fazer essa vida valer a pena de algum modo.

E é rumo a esse objetivo que eu vou: voltar, recomeçar, me reencontrar.

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                                                                              - via Atores da Depressão

bem rapidinho ali no nordeste

quando eu morrer voltarei para buscar 
os instantes que não vivi junto do mar 
(sophia de mello breyner andresen)

Essa viagem, que aconteceu na penúltima semana de julho, foi meio de última hora e passamos, dos 9 dias de viagem, praticamente 4 dias e meio na estrada. Não que não tenha valido a pena, mas só pra contabilizar mesmo. Nosso destino foi , saindo de Brasília para Cidelândia (uma cidadezinha que fica entre Imperatriz e Açailândia, todas no Maranhão), São Luís, depois Cidelândia novamente, São Miguel do Araguaia (GO) e Brasília.


(tirei essa foto quando chegamos ao estado do Maranhão, depois de passar tantas horas no Tocantins, chegar lá é uma sensação de: "estamos quase lá") 

Depois dumas 18h de carro até Cidelândia, uma tentativa frustrada de pegar um trem (sim, um trem) de Açailândia até São Luís, acabamos indo de ônibus pagando muito mais caro até a capital ludovicense. Aproximadamente 12h até lá. E haja estrada, parecia não ter fim. É o que dá viajar de última hora, mas tudo bem, deu tudo certo no final.

Agora se prepare para a rajada de fotos do centro histórico de São Luís, o Reviver. (são muitas mesmo). 





Quem é fotógrafo sabe que sensação é essa, né? Pois é, não teve focada com essa vista.













E, claro, tinha que ter fotos do mar.






Saudade, sentimento que fica, sempre.
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