e se não existisse mais internet?

05 janeiro 2018


hoje é 05 de janeiro de 2018, 00:19h. yep, chegamos até aqui... é tudo muito estranho. 2017 passou absurdamente rápido, e eu fui fazer um balanço das coisas que aconteceram e, confesso, estou realmente bem surpresa: muita coisa foi cinza e eu vivi muito no automático. isso é uma conclusão muito ruim, porque, embora muita coisa boa tenha acontecido, eu me deixei levar muito mais pelo cotidiano, pelo comodismo do que pelos meus sonhos. e sei, com toda certeza, que a internet afetou minha percepção do tempo.

um amiguinho que eu fiz esses dias me disse uma coisa bonita: nós somos pássaros, prontos para voar. e depois de tanto martelar isso na minha cabeça, é difícil admitir que tenho feito pouco uso das minhas asas. é engraçado demais pensar nisso, porque, na aula de ontem, tivemos um baita problema porque a professora não delimitou muito bem o que ela queria do exercício, e foi instantâneo, começamos a reclamar que não tínhamos uma caixinha nos delimitando... nós, definitivamente, não estamos acostumados com a liberdade e acabamos sempre nos fechamos em nossas caixinhas religiosas, em nossas caixinhas filosóficas, na nossa bolha na internet, no medo da opinião alheia, na caixinha do piloto automático e em tantas outras prisões que não caberia nesse post. 

a meu ver, hoje, uma das maiores gaiolas que nos tem prendido - e muito me incluo aqui - é o smartphone. passei muitas horas, ao longo desses anos, olhando para a telinha do celular e não observando as coisas e as pessoas ao meu redor. eu poderia ter lido muito mais livros, poderia ter conversado com muito mais gente se muitas vezes eu não tivesse tão absorta no meu smartphone. isso tem me incomodado demais, primeiro porque me deixa muito mais no piloto automático - pra tudo tem notificação, não uso mais agenda, não decoro telefones importantes -, não leio mais tantos blogs, não compro mais CDs - ainda que online - e, principalmente, tenho níveis altíssimos de ansiedade causados em especial pelo whatsapp - que pra mim é o pior aplicativo de todos, porque >>> NUNCA <<< dá desconectar dele.

e, finalmente, chegamos à pergunta que dá nome a esse post: e se não existisse mais internet? 

bom, eu já refleti muito nessa pergunta e cheguei a algumas respostas: eu não ouviria mais as músicas que escuto porque não tenho CDs, eu talvez não falaria com mais da metade dos meus amigos porque não teria o endereço deles salvo por aqui e não sei onde exatamente a maioria deles mora, ou seja, não teria como enviar cartas, não existiria mais digital influencer e um monte de gente mendigando likes, muitos de nós teriam de aprender a paquerar sem tinder - aqui não me encaixo, eu não uso -, stalkearíamos a vida alheia do modo antigo, escreveríamos mais cartas e faríamos mais ligações, conheceríamos menos pessoas, mas teríamos relações mais sólidas. 

eu reconheço que a internet trouxe coisas muito boas - inclusive me permitir escrever nesse blog - e, pra mim, a melhor delas é a facilidade de acesso ao conhecimento, entretanto, algo muito, muito, muito ruim que a internet trouxe foi a falta de conexão real entre as pessoas, porque pra mim não faz sentido que as pessoas só se falem via mensagem de texto e com isso achem que estão fazendo grandes amigos. 

portanto, meu maior desejo para 2018 - porque a gente sabe que nada muda se a gente não mudar - é passar menos tempo conectada ao whatsapp, encontrar mais os meus amigos pessoalmente, ler mais e não me deixar ser engolida pela rotina, comprar livros de receita, ligar para as pessoas, comprar meus CDs e filmes preferidos e viver mais organicamente. a gente tem mais tempo do que parece, mas nós não fazemos bom uso dele, e a vida vai passando pela nossa frente, mais rápido do que parece... nós não precisamos saber tanto sobre a vida alheia, nem sobre todos os temas polêmicos do momento. já abandonei o twitter, a meta é deixar de usar cada vez mais as redes sociais, porque eu simplesmente não aguento mais e eu sei que não tô sozinha nesse rolê.

sejamos livres do vício no smartphone.

just breath and calm down.

"you carried me all this time..."

20 dezembro 2017


Alguns anos atrás, eu diria que aceitei Jesus aos 13 anos, idade que eu também me batizei. Mas não, eu não aceitei Jesus aos 13 anos, não é só isso, é algo muito mais profundo... Ele já me conhecia desde antes dos meus ossos serem formados, Ele já tinha escrito todos os meus dias no Seu livro antes mesmo d'eu nascer.

O amor dEle nunca me deixou; e nunca me deixará. Ele, furiosamente, me ama, e, mesmo dizendo essas palavras, eu sei que ainda não tenho dimensão desse amor, nem sei se um dia terei. Eu sei, entretanto, que Ele sempre cuidou de todos os detalhes da minha vida e nunca deixou de cuidar, e está cuidando agora, nesse exato momento, enquanto escrevo essas linhas meio desconexas, mas profundamente sinceras. Jesus é tudo, absolutamente tudo que eu tenho nessa vida. Não adianta ter todo dinheiro, toda fama, todos os caras bonitas bonitos, o celular e o carro do ano se eu não tiver o Seu amor e Sua graça sobre a minha vida: nada me suprirá, só me sinto completa em Seu amor. É a graça e somente a graça que me sustenta todos os dias da minha vida, desde sempre.

Eu sou dependente desse amor que me traz vida, que é a própria vida.
Eu nunca vivi longe de você, eu só disperdicei tempo. Você é a vida, Jesus.



a inevitável transitoriedade

17 outubro 2017


Ontem, para uma disciplina, li um texto do Freud sobre a transitoriedade, fato estranhamente engraçado, pois, durante o feriado prolongado, pude ficar quieta e pensar em muitas coisas. E esse sentimento é tão estranho que não sei lidar, talvez, porque, segundo a visão do Freud, isso está ligado ao luto de perder as coisas e esse sentimento é um dos mais complexos.

Lembro-me de que comecei esse blog em 2013 porque sempre gostei de registrar coisas que, embora simples, pra mim são importantes. Nas redes sociais, até postamos muito, mas tudo se perde tão liquidamente. É só mais um post, só mais uma foto, só mais uma frase... é tudo absurdamente líquido, nos termos do nosso querido filósofo Zygmunt Bauman usaria.

Há vida lá fora e nós não estamos vivendo porque estamos presos às telas dos nossos smartphones, tablets e sei lá o quê mais. A beleza está ao nosso redor e nós sequer conseguimos observar a transitoriedade dela porque estamos completamente presos, essa prisão tecnológica é o contrato da modernidade. Tudo isso me assusta. E me assusta ainda mais saber que as coisas estão passando e eu não estou vendo porque meus olhos estão fixos numa tela. 

Quantos livros deixei de ler, quantos filmes deixei de assistir, com quantas pessoas deixei de conversar por causa de um aparelho eletrônico? Seria impossível contar, mas ainda está em tempo de mudar tudo isso. Todos esses dias de hoje serão história e não quero que minhas memórias sejam apenas lembranças vazias de uma tela. 

Eu não quero mais esse contrato da modernidade como a parte mais importante da minha vida.