já é dia 19

19 junho 2017

escrevo nesse blog, em média, três posts por mês e nós já passamos da metade de julho e nada havia sido publicado! o blog não está abandonado, viu gente?! nesse meio tempo, só pra eu também não me perder, excluí de vez o meu facebook, os Arrais lançaram música nova, toquei num piano de cauda, comi um dos melhores hambúrgueres da cidade, troquei o visual do blog (voltei para o antigo, mas ainda preciso fazer uns ajustes), comecei a ler Os Miseráveis, a fonte do meu teclado queimou (2 dias antes do recital), preguei pras crianças na minha igreja, comprei A Divina Comédia e cancelei a minha assinatura da Netflix.

a vida segue, na correria, como sempre, e eu fico pensando no quanto "sublime", composição da Daniela Araújo, faz cada vez mais sentido a medida em que nos tornamos adultos cheios de responsabilidades.

tudo é vaidade, tudo é passageiro, tudo é ilusão.

no princípio

07 maio 2017


Bereshit bara elohim 
No princípio criou Deus o céu e a terra. 
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo;
e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
(Gênesis 1:1-3)





No princípio, sem forma, vazio.
No princípio, sem luz.
No princípio, sem vida.

Eu ouvi essa música cerca de um ano atrás. Veio à minha mente o vazio de nossas almas, o vazio que estamos imersos nas incertezas dessa vida e, naquele momento, o vazio em que eu me encontrava, mesmo O conhecendo. É que há lacunas em nossa existência que ainda não deixamos Ele preencher., mas é preciso abrir mais o nosso coração, deixá-Lo adentrar o mais profundo.

Ouvi de novo. E de novo. E de novo. E acabei me tocando que a música não falava exatamente sobre isso, tinha uma segunda interpretação, sobre o princípio, sobre a Criação. A Terra, sem forma, vazia, sem luz, assim como nossa vida, sem destino, vazia, sem luz. Até que Ele diz: haja luz e, sobre nós, houve luz.

a mudança das estações

22 abril 2017

You broke the winter that my heart was in
(Andrea Marie)

Nós estamos muito angustiados, feridos e decepcionados uns com os outros. Na nossa sociedade pós-moderna, com relações superficiais e desprendidas, é inevitável que não saiamos todos, no fim, um pouco assim. Eu entendo bem disso, eu senti na minha pele. As melhores pessoas que eu conheço também já sofreram muito.

Já me decepcionei demais, por vezes, por colocar expectativas nos outros, noutras vezes, porque as pessoas não foram verdadeiras comigo, problema este que nada tinha a ver comigo. O mínimo que se espera de uma amizade é que as pessoas sejam verdadeiras, mas, no nosso contexto, isso já parece exigir demais. 

Quem bate esquece, quem apanha lembra. Minha mãe disse isso inúmeras vezes e estas palavras parecem encaixar perfeitamente nesse contexto. A "melhor amiga" que não mediu esforços para me excluir sem explicações quando apareceram outras pessoas mais populares e com maior poder aquisitivo, o pai que rejeitou e expulsou o filho por conta da sexualidade, a tia que chamou a sobrinha de gorda e disse que esta jamais iria namorar por conta da gordura, o namorado abusivo, os mentirosos que espalharam boatos pela escola, traição, rejeição... são tantas coisas que eu poderia escrever aqui que seria enfadonho. Se não esqueceremos disso, que nossas memórias sejam, então, convertidas em alegria, porque elas nos deixaram mais fortes.

Jesus disse que devemos perdoar uns aos outros e amar os que nos odeiam. No campo das ideias, parece fácil, mas sei muito bem que na prática é um caminho árduo. É extremamente difícil perdoar os nossos falsos acusadores, os que nos humilharam, os que nos traíram... mas é necessário, é um exercício de fé diário que contraria por demais as filosofias e dogmas da nossa sociedade. Jesus nos perdoou e perdoou também os que o crucificaram, mesmo em meio a tanta dor. Difícil é, mas não é impossível. 

Jesus quer nos tirar de nossos abismos, de nosso jugo de culpa. É Ele quem, continuamente, transforma o nosso inverno na estação mais florida e alegre, nosso deserto em mar. 


Foto por Tina Sosna