eu vi a belle époque brasileira

01 agosto 2017

das muitas reflexões que tive em Belém, poucas foram as que anotei, pois tenho uma dificuldade absurda de colocar as coisas no papel quando são muito intensas pra mim, foi assim com o show dos Arrais, que até hoje nunca consegui descrever a experiência, está sendo igualmente assim com Belém, cuja experiência durou mais que 2h de show. 

cerca de 365 dias antes dessa viagem, descobri que o Encontro Nacional de Letras seria em Belém. 2 semanas antes da notícia, eu sabia que queria ir a Belém, por muitos motivos, até fáceis de numerar, mas os deixarei aqui guardados. aos 45 do segundo tempo, quase desisti, pois tive queda de pressão dois dias seguidos antes da viagem, aperto no coração, medo... mas já estava arquitetado, eu precisava ir. quinta feira, às 20h, na UnB. finalmente, fui. quase 36h depois, 2100km, cheguei em Belém, na UFPa, e muitas coisas ruins aconteceram.

fiquei sem lugar pra dormir no alojamento, piorei da rinite, passei raiva com cariocas machistas, dois colegas foram assaltados, e um deles teve as costas cortada com um caco de vidro, o almoço atrasou 2h, um motorista que assediou várias meninas no evento etc. 

eu chorei, chorei muito. 

mas tudo de ruim passou, tudo se resolveu, e coisas absurdamente incríveis aconteceram. 

peguei ônibus pra região metropolitana no primeiro dia, conheci dois dos meus amigos virtuais (agora não só virtuais) numa praia que tava rolando um lual muito aconchegante da igreja quadrangular, discuti muito sobre política e feminismo, conheci pessoas de vários lugares do Brasil, comprei um livro maravilhoso do Victor Hugo, traduzido pelo Machado de Assis, por 15 reais, entrei de graça no Theatro da Paz, chorei dentro da Basílica de Nazaré, comi tacacá, aprendi um pouco mais sobre línguas indígenas, fiz novos amigos que estudam na UnB, peguei o melhor Uber da minha vida, meu amigo fotógrafo tirou fotos lindas de mim, andei de braços dados com os meus amigos, tomei muita água de côco, chorei de saudade antes da viagem acabar e me senti muito viva e feliz.

Belém foi, sem dúvidas, uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. tudo se fez necessário para ser bom exatamente como foi, para me deixar com mais saudade do que cabe no meu peito. nunca pensei que fosse possível sentir tanta saudade de um lugar como estou sentindo de Belém e jamais imaginei que essa experiência seria tão incrível como foi. 

todas as palavras desse post não contam nem 2% de tudo que foi vivido por mim nesses dias, mas estou tentando, tentando...

há muitas fotos de Belém, mesmo tendo perdido muitas com o bug que deu no meu celular, ainda restaram muitas (graças a Deus), mas vou deixar só essas aqui, desse lugar que é, com toda a certeza do universo, o meu lugar preferido dessa cidade que é um pedaço da França no Brasil.  





            

obrigada, Belém, obrigada a todos os meus amigos, obrigada a todos os meus novos amigos, obrigada universo, obrigada Deus, por tudo. tudo precisa ser como é. 




o amor da minha vida

30 junho 2017


no mundo, se eu quero algo, eu preciso dar algo em troca, tal como, para o meu melhor amigo continuar sendo meu melhor amigo, eu preciso, no mínimo, ser agradável. para que o meu cônjuge permaneça me amando, eu preciso amá-lo, preciso me doar para esse amor, todos os dias, ou ele esfria.

e se eu errar, as pessoas ao meu redor me amam um pouco menos, confiam em mim um pouco menos, porque, como dizem, confiança só diminui. vem, então, a necessidade de sermos perfeitos em tudo, de nunca errar, de ser agradável a todos que nos cercam, mas isso é assunto para outro dia.

olhemos, então, para o texto bíblico. jacó, cujo nome seria em breve israel, tirou os direitos de seu irmão. arão, antes de ser o primeiro sumo sacerdote, permitiu e ajudou o povo hebreu a construir um bezerro de ouro para adorarem baal. davi, a quem o Senhor tanto amou e instituiu como rei, caiu em pecado sexual. 

o que todas essas pessoas têm em comum é que todas elas receberam a graça e a misericórdia de D-s apesar de suas falhas e de seus pecados, o Senhor continuou investindo nessas pessoas, apesar de tudo, Ele continuou sendo misericordioso com jacó, com arão e com davi, mesmo quando eles não puderam dar absolutamente nada em troca. e, nesse caso, sei que a palavra amor é e permanece sendo insuficiente para descrever o sentimento do Senhor diante dessas situações, é uma atitude/um sentimento cujas palavras jamais podem dizer com perfeição. 

o Senhor nos amou antes de sermos agradáveis com Ele, nos amou quando estávamos cegos pelos nossos erros e pecados, continua sendo bom e misericordioso conosco mesmo com nossa imperfeição. Ele se ira? às vezes, mas Ele é tardio em se irar, no entanto, é sempre e para sempre misericordioso quando pedimos perdão e estamos dispostos a recomeçar, e não há nada que possamos oferecer em troca, senão nossa vida, que Ele também restituirá.

foto por Tiko Giorgadze

já é dia 19

19 junho 2017

escrevo nesse blog, em média, três posts por mês e nós já passamos da metade de julho e nada havia sido publicado! o blog não está abandonado, viu gente?! nesse meio tempo, só pra eu também não me perder, excluí de vez o meu facebook, os Arrais lançaram música nova, toquei num piano de cauda, comi um dos melhores hambúrgueres da cidade, troquei o visual do blog (voltei para o antigo, mas ainda preciso fazer uns ajustes), comecei a ler Os Miseráveis, a fonte do meu teclado queimou (2 dias antes do recital), preguei pras crianças na minha igreja, comprei A Divina Comédia e cancelei a minha assinatura da Netflix.

a vida segue, na correria, como sempre, e eu fico pensando no quanto "sublime", composição da Daniela Araújo, faz cada vez mais sentido a medida em que nos tornamos adultos cheios de responsabilidades.

tudo é vaidade, tudo é passageiro, tudo é ilusão.